terça-feira, junho 07, 2005

Que pode fazer a Faculdade?

Há coisa que nós sabemos fazer bem e que deveríamos continuara a fazer. Há outras coisas que gostaríamos de fazer. Resta saber como é que podemos ser capazes de as fazer.
A possibilidade de contratar pessoal é quase nula. Não é por aí que vamos conseguir obter novas competencias que nos permitam lançar uma licenciaturas mais práticas que possam atrair pessoas. Qualquer tentativa de reorganização interna passa pela reciclagem de docentes da faculdade. Essa reorganização só acontecerá se as pessoas quizerem considerar a possibilidade de mudar e se aparecerem projectos mobilizadores. A direcção da faculdade tem algum projecto deste tipo?
O departamento da informática queixava-se de falta de pessoal e falou na possibildade de se abrir um concurso interno que levasse algumas pessoas a mudar de departamento. Só se apresentaria a concurso quem quizesse. O departamento de informatica só aceitaria quem quizesse. Porque é que este concurso nunca foi para a frente?Ao que parece tal ideia ja não lhes agrada.
Antes de qualquer esforço colectivo organizado para mudar as competencias do corpo docente da faculdade há que fazer uma análise da piramide etaria da faculdade. No departamento de matematica (exclindo a engenharia geografica) existem cerca de quinze pessoas abaixo dos 45 anos. Parece que na Física só há duas ou três. Se não houver um número suficientemente grande de pessoas a considerar a possibiliadde de mudar de àrea então não vale a pena discutir o assunto.
Mas nesse caso temos de continuar a fazer aquilo que estamos a fazer e as pseudoreformas propostas pelo presidente do directivo não fazem sentido!

Problemas individuais

Com a passagem das licenciaturas para três anos a faculdade arrisca-se a passar a ter o dobro dos professores são considerados necessários. No cenário actual de crise orçamental este facto pode ter consequências imprevisíveis. Alguns professores podem ser colocados num quadro de excedentes. Ser destacados noutros ministérios, etc.
Existem exemplos no passado de fenomenos deste tipo. Em 1980 foram colocados noutros ministerios cerca de vinte assistentes convidados do departamento de matematica. Convem realçar que até aí era normal fazer uma carreira como assistente. O doutoramento não era considerado obrigatório. Se agora acontecer algum fenomeno deste tipo é possível que daqui a vinte anos as pessoas também não percebam: então mas eles não sabiam que para continuar na carreira é preciso passar a associado?
Os problemas referidos acima afectam tanto mais as pessoas quanto mais novas sejam e quanto mais baixo estejam na carreira. Não me parece que alguem se possa sentir completamente a salvo. Eu não me sinto.
Neste quadro dificilmente alguém pode desenvolver uma carreira que o satisfaça profissionalmente.
Quais são as opções que nos restam a nível individual?
1. Não fazer nada de diferente e ver o que acontece. Até pode ser que não a conteça nada...
2. Procurar emigrar para outra faculdade com menos problemas.
3. Mudar de profissão (É sempre uma hipótese...)
4. Tentar criar novas opções dentro da faculdade, considerando a possibilidade de mudar de àrea de investigação. Por exemplo:
entrar num campo da economia ou da matemática financeira que abra à faculdade novas perspectivas e que também podem abrir á pessoa em questão novas perspectivas.
entrar na àrea da informática, onde parece haver excelentes perspectivas, pelo menos é o que alguns colegas nos dizem.
A hipotese 4 faz mais sentido dentro de uma estratégia definida a nível de departamento ou de faculdade. É aqui que se esperaria que a liderança da direcção da Faculdade tivesse alguma coisa a dizer. Tem?

Estratrégia da Faculdade

Caros colegas,

fomos desafiados na renião de 6 de Junho a apresentar uma estratégia para a faculdade e em particular a explicar porque é que devemos manter os departamentos. Há que responder a estas peguntas. Na falta de um melhor, parece-me ser este blogue o melhor local para discutir estes assuntos.

Perguntas que se põem:

1. Quais são os problemas se põem à faculdade, aos departamentos, a cada um de nós?
2. Que podemos fazer para resolver os nossos problemas individuais?
3. Que podemos fazer para resolver os problemas dos departamentos e da faculdade?
4. Que pode fazer o presidente da faculdade? O que é que ele não está a fazer?
5. Que podemos fazer se ele não fizer o que deve?

Vou tentar responder a estas perguntas. É fundamental que outras pessoas também o façam. Penso que este espaço poderia ser um espaço de diálogo de todos os professores da faculdade e que deveriam sair daqui propostas colectivas para aparecer na intranet. Para isso seria conveniente que esta página fosse o mais divulgada possível (dentro da Faculdade).

sexta-feira, junho 03, 2005

Bergen 2005 / London 2007

Alguns links relacionados com o post anterior:

The European Higher Education Area - Achieving the Goals
Communiqué of the Conference of European Ministers Responsible for Higher Education, Bergen, 19-20 May 2005We, Ministers responsible for higher education in the participating countries of the Bologna Process, have met for a mid-term review and for setting goals and priorities towards 2010. At this conference, we have welcomed Armenia, Azerbaijan, Georgia, Moldova and Ukraine as new participating countries in the Bologna Process. We all share the common understanding of the principles, objectives and commitments of the Process as expressed in the Bologna Declaration and in the subsequent communiqués from the Ministerial Conferences in Prague and Berlin. We confirm our commitment to coordinating our policies through the Bologna Process to establish the European Higher Education Area (EHEA) by 2010, and we commit ourselves to assisting the new participating countries to implement the goals of the Process. I. Partnership We underline the central role of higher education institutions, their staff and students as partners in the Bologna Process. Their role in the implementation of the Process becomes all the more important now that the necessary legislative reforms are largely in place, and we encourage them to continue and intensify their efforts to establish the EHEA. We welcome the clear commitment of higher education institutions across Europe to the Process, and we recognise that time is needed to optimise the impact of structural change on curricula and thus to ensure the introduction of the innovative teaching and learning processes that Europeneeds. We welcome the support of organisations representing business and the social partners and look forward to intensified cooperation in reaching the goals of the Bologna Process. We further welcome the contributions of the international institutions and organisations that are partners to the Process.

Des doctorats mieux adaptés aux exigences du marché de l'emploi ?
Lors du sommet de Bergen, les ministres européens de l'enseignement ont appelé les responsables d'université à faire en sorte que leurs programmes de doctorat soient davantage adaptés aux exigences du marché de l'emploi.

quinta-feira, junho 02, 2005

Bergen 2005

Assim, em 2007, em Londres, será obrigatória a apresentação de:
- um modelo de peer-review de agências de certificação de qualidade;
- implementação de sistemas nacionais de Quadros de Qualificações;
- atribuição ou reconhecimento de graus conjuntos, incluindo ao nível do doutoramento;

Queria chamar a atenção para este excelente post de Luís Moutinho no blogue Univercidade. Este post fornece alguns argumentos que nos podem ser bastante úteis a curto e médio prazo.
Este é um dos muitos posts interessantes que se podem encontrar no Meta-Blog do Ensino Superior. Ver link do lado direito.

Como participar na discussão

Os membros do departamento interessados em participar na discussão em curso através deste blog podem fazê-lo das seguintes formas:

Colocando pequenos comentários a outros artigos. Nesse caso devem clicar na palavra comments que aparece na linha por baixo do artigo em questão e escolher a opção Anonymous.

Escrevendo um artigo. Nesse caso vá aqui, use o nome calculodasvariacoes e a palavra chave pitagoras. Clique na cruz verde e escreva o post. É conveniente que já tenha escrito e emendado o post e depois faça copy paste. Evita-se assim muitos pequenos problemas.

Se tiver problemas na colocação do artigo no blogger, envie o texto para dmbolonha arroba gmail.com e deixe um comentário na mensagem mais recente para que depois alguém a introduza no blogue. Esta opção atrasa o aparecimento do artigo.

Este post vai ser completado e eventualmente corrigido várias vezes durante os próximos dias.
Se tiver dúvidas ou encontrar algo que não funciona bem agradeço que deixe a informação nos comentários...

quarta-feira, junho 01, 2005

Primeiro Ciclo (licenciatura) em Matemática: 3+2?

A incerteza sobre o modelo de financiamento dos ciclos envenena, à partida, qualquer discussão sobre a alternativa 3+2 versus 4+1.

(A propósito: em rigor, não é certo que se possa vir a falar em 4+1 mas apenas em 4+1,5 ou 4+2, uma vez que o n. 6 do Artigo 2º da Lei de Bases do Sistema Educativo, cf. Lei de Bases estipula que “o grau de mestre é conferido após um ciclo de estudos com um número de créditos que corresponde a uma duração compreendida entre três e quatro semestres curriculares de trabalho”.)

Ainda assim, como primeira aproximação parece-me mais razoável propormos um primeiro ciclo de três anos, pelas razões seguintes:

. Permite desenhar um curso de formação geral em matemática, eventualmente com “minors” em Física, Estatística, etc (à custa de grupos de opções no segundo semestre do 3º ano).

. É compatível com a tendência maioritária em outros países. Ver o site de João Vasconcelos Costa.

. A mobilidade interna também não pode ser desprezada e, até à data, a Física e a Química estão inclinadas para um modelo 3+2.

. Dá mais margem de manobra na concepção de segundos ciclos.

. Permite que alunos mais fracos saiam do sistema mais rapidamente.


Quanto ao financiamento dos segundos ciclos, a Faculdade terá de lutar pela exigência de condições iguais para todos os cursos do País da área da Matemática.

Para informação: tanto quanto sei, na UNL já optaram por um modelo 3+2; no IST ainda não optaram mas parece ser essa a inclinação; Coimbra e Porto aguardam por mais legislação.